dissabte, 29 d’agost de 2015

Há metafísica bastante em não pensar em nada. O que penso eu do mundo? Sei lá o que penso do mundo! Se eu adoecesse pensaria nisso. Que ideia tenho eu das cousas? Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos? Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma E sobre a criação do Mundo? Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos E não pensar. É correr as cortinas Da minha janela (mas ela não tem cortinas). O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério! O único mistério é haver quem pense no mistério. Quem está ao sol e fecha os olhos, Começa a não saber o que é o sol E a pensar muitas cousas cheias de calor. Mas abre os olhos e vê o sol, E já não pode pensar em nada, Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos De todos os filósofos e de todos os poetas. A luz do sol não sabe o que faz E por isso não erra e é comum e boa. Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores? A de serem verdes e copadas e de terem ramos E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar, A nós, que não sabemos dar por elas. Mas que melhor metafísica que a delas, Que é a de não saber para que vivem Nem saber que o não sabem? «Constituição íntima das cousas»... «Sentido íntimo do Universo»... Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada. É incrível que se possa pensar em cousas dessas. É como pensar em razões e fins Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores Um vago ouro lustroso vai perdendo escuridão. Pensar no sentido íntimo das cousas É acrescentado, como pensar na saúde Ou levar um copo à água das fontes. O único sentido íntimo das cousas É elas não terem sentido íntimo nenhum. Não acredito em Deus porque nunca o vi. Se ele quisesse que eu acreditasse nele, Sem dúvida que viria falar comigo E entraria pela minha porta dentro Dizendo-me, Aqui estou! (Isto é talvez ridículo aos ouvidos De quem, por não saber o que é olhar para as cousas, Não compreende quem fala delas Com o modo de falar que reparar para elas ensina.) Mas se Deus é as flores e as árvores E os montes e sol e o luar, Então acredito nele, Então acredito nele a toda a hora, E a minha vida é toda uma oração e uma missa, E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos. Mas se Deus é as árvores e as flores E os montes e o luar e o sol, Para que lhe chamo eu Deus? Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar; Porque, se ele se fez, para eu o ver, Sol e luar e flores e árvores e montes, Se ele me aparece como sendo árvores e montes E luar e sol e flores, É que ele quer que eu o conheça Como árvores e montes e flores e luar e sol. E por isso eu obedeço-lhe, (Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?), Obedeço-lhe a viver, espontaneamente, Como quem abre os olhos e vê, E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes, E amo-o sem pensar nele, E penso-o vendo e ouvindo, E ando com ele a toda a hora.

É antes do ópio que a minh'alma é doente.
Sentir a vida convalesce e estiola
E eu vou buscar ao ópio que consola
Um Oriente ao oriente do Oriente.

Esta vida de bordo há-de matar-me
São dias só de febre na cabeça
E, por mais que procure até que adoeça,
já não encontro a mola pra adaptar-me.

Em paradoxo e incompetência astral
Eu vivo a vincos de ouro a minha vida,
Onda onde o pundonor é uma descida
E os próprios gozos gânglios do meu mal.

É por um mecanismo de desastres,
Uma engrenagem com volantes falsos,
Que passo entre visões de cadafalsos
Num jardim onde há flores no ar, sem hastes.

Vou cambaleando através do lavor
Duma vida-interior de renda e laca.
Tenho a impressão de ter em casa a faca
Com que foi degolado o Precursor.

Ando expiando um crime numa mala,
Que um avô meu cometeu por requinte.
Tenho os nervos na forca, vinte a vinte,
E caí no ópio como numa vala.

Ao toque adormecido da morfina
Perco-me em transparências latejantes
E numa noite cheia de brilhantes,
Ergue-se a lua como a minha Sina.

Eu, que fui sempre um mau estudante, agora
Não faço mais que ver o navio ir
Pelo canal de Suez a conduzir
A minha vida, cânfora na aurora.

Perdi os dias que já aproveitara.
Trabalhei para ter só o cansaço
Que é hoje em mim uma espécie de braço
Que ao meu pescoço me sufoca e ampara.
E fui criança como toda a gente.

Nasci numa província portuguesa
E tenho conhecido gente inglesa
Que diz que eu sei inglês perfeitamente.
Gostava de ter poemas e novelas
Publicados por Plon e no Mercure,
Mas é impossível que esta vida dure.

Se nesta viagem nem houve procelas!
A vida a bordo é uma coisa triste,
Embora a gente se divirta às vezes.
Falo com alemães, suecos e ingleses
E a minha mágoa de viver persiste.

Eu acho que não vale a pena ter
Ido ao Oriente e visto a índia e a China.
A terra é semelhante e pequenina
E há só uma maneira de viver.

Por isso eu tomo ópio. É um remédio
Sou um convalescente do Momento.
Moro no rés-do-chão do pensamento
E ver passar a Vida faz-me tédio.

Fumo. Canso. Ah uma terra aonde, enfim,
Muito a leste não fosse o oeste já!
Pra que fui visitar a Índia que há
Se não há Índia senão a alma em mim?

Sou desgraçado por meu morgadio.
Os ciganos roubaram minha Sorte.
Talvez nem mesmo encontre ao pé da morte
Um lugar que me abrigue do meu frio.

Eu fingi que estudei engenharia.
Vivi na Escócia. Visitei a Irlanda.
Meu coração é uma avózinha que anda
Pedindo esmola às portas da Alegria.

Não chegues a Port-Said, navio de ferro!
Volta à direita, nem eu sei para onde.
Passo os dias no smokink-room com o conde -
Um escroc francês, conde de fim de enterro.

Volto à Europa descontente, e em sortes
De vir a ser um poeta sonambólico.
Eu sou monárquico mas não católico
E gostava de ser as coisas fortes.

Gostava de ter crenças e dinheiro,
Ser vária gente insípida que vi.
Hoje, afinal, não sou senão, aqui,
Num navio qualquer um passageiro.

Não tenho personalidade alguma.
É mais notado que eu esse criado
De bordo que tem um belo modo alçado
De laird escocês há dias em jejum.

Não posso estar em parte alguma.
A minha Pátria é onde não estou.
Sou doente e fraco.
O comissário de bordo é velhaco.
Viu-me co'a sueca... e o resto ele adivinha.

Um dia faço escândalo cá a bordo,
Só para dar que falar de mim aos mais.
Não posso com a vida, e acho fatais
As iras com que às vezes me debordo.

Levo o dia a fumar, a beber coisas,
Drogas americanas que entontecem,
E eu já tão bêbado sem nada! Dessem
Melhor cérebro aos meus nervos como rosas.

Escrevo estas linhas. Parece impossível
Que mesmo ao ter talento eu mal o sinta!
O facto é que esta vida é uma quinta
Onde se aborrece uma alma sensível.

Os ingleses são feitos pra existir.
Não há gente como esta pra estar feita
Com a Tranquilidade. A gente deita
Um vintém e sai um deles a sorrir.

Pertenço a um gênero de portugueses
Que depois de estar a Índia descoberta
Ficaram sem trabalho. A morte é certa.
Tenho pensado nisto muitas vezes.

Leve o diabo a vida e a gente tê-la!
Nem leio o livro à minha cabeceira.
Enoja-me o Oriente. É uma esteira
Que a gente enrola e deixa de ser bela.

Caio no ópio por força. Lá querer
Que eu leve a limpo uma vida destas
Não se pode exigir. Almas honestas
Com horas pra dormir e pra comer,

Que um raio as parta! E isto afinal é inveja.
Porque estes nervos são a minha morte.
Não haver um navio que me transporte
Para onde eu nada queira que o não veja!

Ora! Eu cansava-me o mesmo modo.
Qu'ria outro ópio mais forte pra ir de ali
Para sonhos que dessem cabo de mim
E pregassem comigo nalgum lodo.

Febre! Se isto que tenho não é febre,
Não sei como é que se tem febre e sente.
O facto essencial é que estou doente.
Está corrida, amigos, esta lebre.

Veio a noite. Tocou já a primeira
Corneta, pra vestir para o jantar.
Vida social por cima! Isso! E marchar
Até que a gente saia pla coleira!

Porque isto acaba mal e há-de haver
(Olá!) sangue e um revólver lá pró fim
Deste desassossego que há em mim
E não há forma de se resolver.

E quem me olhar, há-de-me achar banal,
A mim e à minha vida... Ora! um rapaz...
O meu próprio monóculo me faz
Pertencer a um tipo universal.

Ah quanta alma viverá, que ande metida
Assim como eu na Linha, e como eu mística!
Quantos sob a casaca característica
Não terão como eu o horror à vida?

Se ao menos eu por fora fosse tão
Interessante como sou por dentro!
Vou no Maelstrom, cada vez mais pró centro.
Não fazer nada é a minha perdição.

Um inútil. Mas é tão justo sê-lo!
Pudesse a gente desprezar os outros
E, ainda que co'os cotovelos rotos,
Ser herói, doido, amaldiçoado ou belo!

Tenho vontade de levar as mãos
À boca e morder nelas fundo e a mal.
Era uma ocupação original
E distraía os outros, os tais sãos.

O absurdo, como uma flor da tal Índia
Que não vim encontrar na Índia, nasce
No meu cérebro farto de cansar-se.
A minha vida mude-a Deus ou finde-a ...

Deixe-me estar aqui, nesta cadeira,
Até virem meter-me no caixão.
Nasci pra mandarim de condição,
Mas falta-me o sossego, o chá e a esteira.

Ah que bom que era ir daqui de caída
Pra cova por um alçapão de estouro!
A vida sabe-me a tabaco louro.
Nunca fiz mais do que fumar a vida.

E afinal o que quero é fé, é calma,
E não ter estas sensações confusas.
Deus que acabe com isto! Abra as eclusas —
E basta de comédias na minh'alma!

5 comentaris:

  1. e o comportamento dos macacos nus ou peludos é de imitação não de matilha que tem geralmente um lobo alfa na frente e vários pretendentes a cheirar-lhe o cu ...bossa senhoria deve tar a con fundir a festa d'aniversário com o bando de macacos da imprensa7 de setembre de 2015 a les 16:12

    é um jornalismo de vistas estreitas que só se preocupa com piças e pisas e outras torres couto da subsidiocracia internazionalle

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    1. Kim Kardoso Hemileia DaGama Vastatrix Mello desculpa mas tenho o tradutor avariado. Tenta lá isso em português e a fazer sentido. Sei que não te será fácil... See Translation Like · Reply · 1 hr Hemileia DaGama Vastatrix Mello KIM KARDOSO ÉS MERDOSO O MAU PORTUGUEZ DÁ-TE GOZO ANCESTRAL PUTO DA CASA PIA QUE COPIA NO ARCAICO PORTUGUÊS TALVEZ ESTEJAS NA IDADE DOS PORQUÊS .... Like · Reply · 13 mins Hemileia DaGama Vastatrix Mello Kim Kardoso VIM CARDOSO RELES BURGUÊS QUE SABES FAZER BRIOCHES DE FORMA FÁCIL ONDE TE ARROCHES DE FORMA GRÁCIL Like · Reply · 12 mins Hemileia DaGama Vastatrix Mello IDE VER GRACILIS EM LATIM SE NUM ACHARES NO WIKID'OTÁRIO Like · Reply · 11 mins Hemileia DaGama Vastatrix Mello DESCULPO O CUSPO FÁCIL DE RETARDADO MENTAL QUE A BEM OU A MAL METERAM A CAPAR EM K PEQUENOS DOS MAIS SERENOS CAPADO SEM DOR FOSTE AO MENOS CAPÃO É CABRÃO OU ENTÃO É ASSADO OU NO CANTO LÍRICO FOSTE LANÇADO? Like · Reply · 8 mins Hemileia DaGama Vastatrix Mello CAPADO CAPÃO ENTÃO PASSASTE MAU BOCADO ? OU GOZAS NAS LETRAS PATETAS O CARALHO DESENTESADO.?8 de setembre de 2015 a les 18:30

      ABRI AS ECLUSAS E DEIXAI ENTRAR OS QUE EM TI ESCUSAS

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  2. um tal de pessoa muiyo impessoal fulano de tal um pouco normal um pouco fatal tal e qual qualquer outro animal
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    Hemileia DaGama Vastatrix Mello
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    Hemileia DaGama Vastatrix Mello
    1 min ·

    Ah que bom que era ir daqui de caída
    Prós fundos por um alçapão de estouro!
    A vida sabe-me a tabaco mouro.
    Nunca fiz mais do que fumar a vida

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    1. MEXIOLÂNICA BEIJOQUEIRA ...TROIKA QUE BEIJOU ONDE ESTÁS .. Mão DO MENSALÃO ONDE VÁS noite de luar assim ASSIM mar DE solidão SEM FIM vento a soluçar EM MIM Que fosses PRÓ CARALHO ENFIM Nada tu ouviste, É TRISTE E logo partiste MEU BRAÇO NUM TERNO Abraço de AÇO NO AMOR BAÇO QUE FAÇO ------------------------------------------------------------------E fiquei chorando EM mágoaS cantando....ERA SAUDOSISTA DO MASOQUISMO Sou a estátua perenal da dor,,,BOLAS VAI RIMAR COM FLOR ADONDE Passo os dias soluçando com meu PUnho ,....TEM NADA PRA RIMAR COM PUNHO OU TE DESUNHO? Carpindo a minha dor, sozinho BATENDO COM AMOR DEVAGARINHO Sem esperanças de vê-la jamais NO BOM OU MAU CAMINHO Deus, tem compaixão deste infeliz Por que sofrer assim?...CONTIGO EM MIM ...TINTIN POR TINTIN ENFIM Compadecei-vos dos meus ais QUE ESCREVO PRA JORNAIS Tua imagem permanece imaculada NESTA CAGADA Em minha retina cansada TEM MAMINHA E TEM PORRADA De chorar por teu amor SEM COR Lábios que beijei ONDE ESTÃO Mãos que afaguei CALÇAS QUE MIJEI ONDE VÃO TROIKA Volta, dá LENINE à minha dor DÁ ESTALINE COM AMOR17 de setembre de 2015 a les 15:31

      POR QUE ESTRADA, POR QUE PORTA POR QUE ENTRADA POR QUE TORTA PORTA

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    2. Yasmim Azevedo
      Início da conversa no bate-papo

      Você e Yasmim Azevedo não estão conectados no Facebook
      Trabalha na empresa Forma Turismo
      Mora em São Paulo
      há 5 minutos

      Vai se foder

      Obrigada
      Fim da conversa no bate-papo
      Enviada pelo Messenger

      Yasmim Azevedo Greta Garcia loucos pro signos tendo filhos Kkkkkkkk
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      Conseisão Danódoa Martinho
      Conseisão Danódoa Martinho e chamando greta prós filhos e jasmim e couso assim
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      Conseisão Danódoa Martinho
      Conseisão Danódoa Martinho jasmim ? isso me lembra qualquer coisa né ....
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      Conseisão Danódoa Martinho
      Conseisão Danódoa Martinho Ponto GG mesmo ao quadrado dá mais Gozoooooo
      Curtir · Responder · 9 min
      Conseisão Danódoa Martinho

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