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dimecres, 17 de setembre de 2014

DAS GUERRAS COMERCIAIS AÇUCARADAS .....ales todos cheios de açúcar que aspergiam muito pelo mundo” [Gomes Eanes de Zurara, Crónica de Guiné, Cap. II Foi na Madei ra que a cana de açúcar iniciou a diáspora atlântic a. Aqui surgiram os primeiros contornos sociais (a escravat ura), técnicos (engenho de água) e político económicos (trilogia rural) que materializaram a civilização d o açúcar.éculo XV foi assim um momento importante no pro cesso de transmutação do mercado do açúcar. O Centro de divergência das rotas transferiu se do Me diterrâeno para o Atlântico. A Madeira ensaiou com sucesso a cultura, que passou a fazer se de uma for ma intensiva, levando à elevada disponibilidade do produto. Este facto chamou a atenção dos agentes e capitalis mo europeu, que se lançou no assalto à ilha e aos n ovos mercados que se sucederamO investimento de c apital de origem mercantil, nacional ou estrangeiro surgiu apenas numa óptica da nova economia, afirmando se c omo gerador de novas riquezas adequadas a um aproveitamento comercial. Assim, o comércio foi o d enominador comum para os produtos a introduzir, sen do valorizados aqueles activadores da nova economia de mercado. Aqui, a cana de açúcar e o cobiçado produ to final, o açúcar, detém uma posição cimeira. A Madeira foi no começo o mais importante entrepost o. Os descobrimentos aliam se ao comércio e, por isso, desde meados do século XV, manteve se um trato assíduo com o reino, activado com as madeiras , urzela, trigo e, depois, com o açúcar e o vinho. Es te movimento alargou se às cidades nórdicas e mediterrânicas, com o aparecimento de estrangeiros interessados no comércio do açúcar. O arquipélago canário, tardiamente associado ao domínio europeu, manteve desde o século XVI um activo comércio com a Península. Neste tráfico intervêm os peninsulares e italianos. Após a conquista, castelhanos, portugue ses e italianos repartem entre si o comércio das ilhas. O s flamengos e ingleses, que delinearão as rotas de ligação ao mercado nórdico, surgem num segundo momento. Múltip las descrições, de finais do século XVI, evidenciam a posição dominante das Ilhas de Tenerife e Gran Cana ria na economia do arquipélago. O regime do comércio do açúcar madeirense nos sécul os XV e XVI, segundo opinião de Vitorino Magalhães Godinho, “vai oscilar entre a liberdade f ortemente restringida pela intervenção quer da coro a quer dos poderosos grupos capitalistas, de um lado, e o monopólio global, primeiro, posteriormente um conju nto de monopólio cada qual em relação com uma escápula de outra banda”. Deste modo o comércio apenas se manteve em regime livre até 1469, altura em que a b aixa do preço veio condicionar a intervenção do sen horio, que estipulou o seu exclusivo aos mercadores de Lis boa. Ao madeirense, habituado a negociar com os estrangeiros, isto não agradou. Mesmo assim o Infan te D. Fernando decidiu em 1471 estabelecer o monopólio a uma companhia formada por Vicente Gil, Álvaro Est eves, Baptista Lomelim, Francisco Calvo e Martim Anes Boa Viagem. Desta decisão resultou um aceso co nflito entre a vereação e os referidos contratadore s. Passados vinte e um anos a ilha debatia se ainda co m uma conjuntura difícil no comércio açucareiro, pe lo que a coroa retomou em 1488 e 1495 a pretensão do monop ólio, mas apenas conseguiu impor um conjunto de medidas regulamentadoras da cultura, safra e comérc io, que ocorrem em 1490 e 1496. Esta política, defi nida no sentido da defesa do rendimento do açúcar, irá s aldar se mais uma vez num fracasso, pelo que em 149 8 foi tentada uma nova solução, com o estabelecimento de um contingente de cento e vinte mil arrobas PARA EXPORTAÇÃO....Assim o def iniu o foral da capitania do Funchal, em 1515, ao enunciar que “Os ditos açúcares se poderão carregar para o Levante e Poente e pera todas outras partes que os mercador es e pessoas que os carregarem aprouver sem lhe iss o ser posto embargo algum”. Nas Canárias depara se nos uma situação diferente, pois o comércio do açúcar fundamenta se numa política de abertura a todos os mercados e agentes. Apenas é de notar as restrições impostas pela conj untura de afrontamento político e religioso, que tem incidênc ia particular no movimento com a Flandres e a Ingla terra, no último quartel do século XVI. As condições espec iais em que sucedeu o processo de conquista favorec eram a abertura a todos os intervenientes interessados e , por consequência, facilitou o relacionamento das ilhas com as cidades italianas e flamengas. OS PREÇOS DO AÇÚCAR . Não é fácil estabelecer com clareza a evolução dos preços do açúcar no mercado insular porque não exis tem núcleos documentais que permitam a reconstituição d e séries. Os dados disponíveis são avulsos e descon exos. Se no caso da Madeira foi possível reunir o maior n úmero de informações para a década de trinta do séc ulo XVI, nas Canárias a situação é igual na Ilha de Ten erife. Além disso dever se ão juntar outras condici onantes que influem de forma decisiva nos preços. Em primei ro lugar está a falta crónica de moeda nas ilhas e o recurso ao açúcar como meio de troca, a que se asso cia nos séculos XV e XVI a sua insistente desvalori zação. O açúcar, como moeda de troca, é uma realidade quer na Madeira, quer nas Canárias, mas foi neste últim o arquipélago que adquiriu melhor expressão 3 . É necessário ter ainda em conta que a lei da oferta e da procura condicionava de forma evidente a evolução do preço do açúcar ao longo do ano. Deste modo, é de notar uma variação mensal de acordo com o período da safra do açúcar e da presença de embarca ções interessadas no seu trato Daqui resulta que os preços mais elevados surjam nos meses de Junho e JulhoA partir da década de setenta o preço do açúcar ent rou em quebra acentuada. Esta ideia está testemunhada nas intervenções do senhorio a partir de 1469 que insiste na solução do monopólio para o comércio. A negação dos madeirenses a semelhante so lução levou o Duque D. Manuel a avançar com novas medidas. Assim em 1496 fixa os preços em 350 réis p ara o açúcar da primeira cozedura e 600 ao da segun da, e passados dois anos opta por estabelecer uma cota má xima de exportação que se cifrava em 120.000 arroba s. Os dados disponíveis revelam este movimento de queb ra do açúcar. O primeiro açúcar feito em Machico vendeu se a 2000 réis arroba. Já em 1469 o seu preç o estava em 500 arrobas para o de uma cozedura e 75 0 para o de duas, Em 1472 temos a notícia que subiu p ara 1000 réis a arroba, mas esta deverá ser uma sit uação particular resultante da quebra acentuada da moeda, pois que em 1478 regressou à normalidade. O movime nto de queda foi uma constante até princípios do século XVI e só a revolução dos preços inverteu a situaçãoA questão foi le vada às cortes de Coimbra de 1472 1473 e de Évora e m 1481, reclamando a burguesia do reino contra o mono pólio de facto, dos mercadores genoveses e judeusendo representados por Baptista Lomellini, Francisco Calvo e Micer Leão. No último quartel do século juntaram se Cristóvão ColomBO

Sendo representados por Baptista quartel do século juntaram-se Cristóvão ColomBO

A exploração e o comércio do sal de Setúbal; estudo de história económica

Livro de cartas que escreverão ao ilustrissimo senhor Francisco de Mello, Marquês de Sande, sendo embaxador [sic] extraordinario em Inglaterra, e França em os annos de 658 athe 665

 

O açúcar da Madeira nos fins do século XV : problemas de produção e comércio

 

O AC̦ÚCAR DE S. TOMÉ NO SEGUNDO QUARTEL DO SÉCULO XVI